quarta-feira, 30 de maio de 2012

Pernambuco lança programa contra violência aos animais



Pacto Pela Vida Animal será lançado nesta quarta-feira, no Recife.
Intenção é implementar políticas que garantam a proteção dos animais.


Para evitar situações em que animais sofram pela crueldade dos homens, em que bichos são largados nas ruas sem comida, sem abrigo ou tratamento, o estado de Pernambuco lança, nesta quarta-feira (30), o Pacto Pela Vida Animal. Tendo inspiração no programa Pacto Pela Vida, que investe em políticas de segurança pública para reduzir a violência, o novo programa promete ações que garantam a proteção e o bem-estar aos animais que vivem no estado.

De acordo com a delegada de Meio Ambiente, Nely Queiroz, cerca de 70% das reclamações que chegam à delegacia são de maus tratos e abandono. À frente das ações de combate a esse tipo de violência, a delegada contou que o primeiro objetivo do pacto é a implementação de políticas públicas que garantam o bem-estar e proteção dos animais no estado. O plano de ação se apoiará em sete áreas; cada uma terá uma série de estratégias específicas.

“Uma das áreas temos a implementação e a criação de politicas de proteção de animas, como também uma elaboração específica para o grupo de animais vulneráveis. Vamos manter uma alta prioridade contra a crueldade. Também está prevista como uma das áreas assegurar a aplicabilidade da legislação de proteção animal, como  também incentivar parceria das entidades civis de direito dos animais com os órgãos públicos”, contou Nely Queiroz.

Apesar dos casos de violência contra animais envolver diversos bichos, os cães são os que mais sofrem com a crueldade dos homens. O Pacto Pela Vida Animal também vai buscar um aumento na pena nos casos de maus tratos e abandono. “Hoje, a pena varia de 3 meses a 1 ano e multa, pois é considerado um crime de menor potencial ofensivo. Caso esse novo projeto de reforma do código seja aprovado em plenário no Congresso Nacional, a pena vai ser de 1 a 4 anos, inclusive a gente vai poder lavrar um auto de prisão em flagrante e delito”, informou a delegada.

As pessoas que queiram denunciar casos de abuso contra os animais podem ligar para o disque-denúncia (3421-9595) ou para a Delegacia de Meio Ambiente (3181-7119), sem precisar se identificar. Também é possível registrar um boletim de ocorrência pessoalmente na delegacia, que fica na Rua Comendador Bento Aguiar, no bairro da Ilha do Retiro, no Recife. A cerimônia de lançamento do pacto será às 19h desta quarta, na Faculdade Marista, no bairro de Apipucos
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quarta-feira, 16 de maio de 2012


Vítimas de maus-tratos em circos, animais vivem isolados em jaulas em ZooEmbora tenham alimentação adequada e assistência dos veterinários, correm o risco de se tornarem obesos

Publicação: 16/05/2012 08:17 Atualização: 15/05/2012 23:06
Jaula de 20m²: Dengo, resgatado de um circo em Niterói, foi marcado com ferro quente no meio da testa (Gustavo Moreno/CB/D.A. Press)
Jaula de 20m²: Dengo, resgatado de um circo em Niterói, foi marcado com ferro quente no meio da testa

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Desde 2006, três leões e dois tigres apreendidos em um circo vivem em recintos improvisados no Zoológico de Brasília. Os espaços com cerca de 20m² cada um não são ideais para abrigá-los. Outros dois leões, vindos do Zoológico de Niterói, o macho Dengo e a fêmea Elza, estão na mesma situação, há mais de um ano. Os pequenos abrigos deveriam ser temporários, mas a permanência dos leões se prolongou por não haver nenhum outro zoológico ou criador interessado em acolhê-los.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis no Distrito Federal (Ibama-DF) recebeu, em 19 de março deste ano, pedido da Fundação Zoológico de Brasília para transferir cinco desses bichos dos recintos para outros locais. O Zôo, por sua vez, afirmou ter protocolado vários pedidos anteriormente para a remoção desses animais. A transferência tornou-se urgente no mês passado, quando iniciou-se uma reforma nesse setor do zoológico. Sem retirar os leões fica impossível revitalizar os recintos temporários, que existem há 50 anos, sem nenhuma reforma, e ficam longe da visitação.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Cadela perde pata ao salvar dona desmaiada em linha do trem


Maquinista viu a cachorra arrastando a mulher, mas não conseguiu frear.

A pit bull Lilly recebe tratamento de um veterinário (Foto: Reprodução/My FOX Boston)

A pit bull Lilly recebe tratamento de um veterinário 


     Uma cachorra da raça pit bull chamada Lilly está sendo chamada de heroína após salvar a vida de sua dona, que desmaiou embriagada sobre trilhos de trem em Shirley, no estado americano de Massachusetts.
   Lilly, de 8 anos, acabou sendo atingida depois de arrastar Christine Spain para a segurança. Levada para o veterinário, ela teve parte da pata dianteira direita amputada, segundo a reportagem da emissora FOX em Boston.


O maquinista diz que viu a cadela puxando a mulher da linha de trem por volta de meia-noite da última sexta-feira (5). Ele acionou os freios, mas a locomotiva parou por completo só depois de atingir Lilly. A mulher não sofreu nenhum ferimento.
   A cachorra teve a ponta da pata dilacerada, sofreu fraturas na pélvis e ferimentos internos, mas se manteve ao lado da dona até que o socorro chegassem ao local, disse um bombeiro.
  O filho de Christine, David Lateigne, explicou que a mãe sofre de alcoolismo há muitos anos. Ele mesmo deu Lilly para a mãe como forma de companhia, após resgatar a cachorra três anos atrás.
    "Sempre soubemos que ela é um cão especial. E ela mostrou exatamente o que é um pit bull, ela foi até o fim", conta David, emocionado. Ele trabalha como policial em Boston, longe da mãe
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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Movimento Crueldade Nunca Mais lança petição para exigir penas severas contra os maus-tratos aos animais



I
No dia 22 de janeiro de 2012, cerca de 100 mil pessoas, em mais de 200 cidades brasileiras, saíram às ruas na Manifestação Crueldade Nunca Mais, para pedir maior punição para quem comete crimes de maus-tratos contra animais. A legislação brasileira possui penas muito brandas para quem comete tais crimes.
O anteprojeto da reforma do Código Penal Brasileiro está em andamento, e há notícias de que a Lei dos Crimes Ambientais, 9605/98, cujo artigo 32 criminaliza os atos de crueldade contra animais, passará a ser um capítulo do novo Código Penal, e que as condutas já previstas como crime poderiam ser consideradas apenas infrações administrativas, sendo punidas, unicamente, com o pagamento de multas.
Num momento onde o clamor da população brasileira é pela punição efetiva de quem comete crimes contra animais, acabar com a única lei que os protege, é uma afronta aos anseios dos brasileiros.
Acreditando que ao invés de retroceder, a proteção penal aos animais deve avançar, o Movimento Crueldade Nunca Mais lançou uma petição em apoio à carta aberta “Pelo avanço da proteção penal ao meio ambiente e aos animais”. Esta carta, endereçada à comissão de juristas responsáveis pela redação do anteprojeto do Novo Código Penal, repudia qualquer retrocesso nas leis que defendem os animais, e em contrapartida pede penas mais duras, capazes de inibir tais condutas.
Na semana de 07 a 11 de maio, a comissão de juristas instituída pelo Senado finalizará o texto do anteprojeto do novo Código Penal, no que se refere aos crimes contra os animais e o meio ambiente! O anteprojeto posteriormente tramitará no Senado e Câmara dos Deputados, mas é fundamental que o texto contemple AGORA as condutas criminosas contra os animais, e estabeleça penas mais duras capazes de realmente inibir estas cruéis ações.
Face a isto, o Movimento Crueldade Nunca Mais convocou a proteção animal de todo o país para novamente sair às ruas! Porém, desta vez será para realizar um “PEDÁGIO NACIONAL” para coleta de assinaturas, no dia 05 de maio de 2012! As cidades deverão ser inscritas através do e-mail: info@crueldadenuncamais.com.br.
Veja as cidades que já confirmaram participação:
Subcomissão de juristas que tratará das leis penais especiais:
DR. MARCELO LEONARDO – Belo Horizonte – MG
DR. TIAGO IVO OGON – Brasília – DF
DR. GAMEL FOPEL – Salvador – BA
DR. LUIZ CARLOS DOS SANTOS GONÇALVES – São Paulo- SP
DR. MARCELO LEAL LIMA OLIVIERA – Brasília – DF

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Diminuir o consumo de carne faz bem para planeta, faz bem para os animais


'Comam menos carne', diz o principal cientista da ONU

As pessoas deveriam considerar comer menos carne como uma forma de combater o aquecimento global, segundo o principal cientista climático da Organização das Nações Unidas (ONU).

Por Richard Black - Repórter de Meio Ambiente da BBC News

Rajendra Pachauri, que preside o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), fará a sugestão em um discurso em Londres na noite desta segunda-feira.

Números da ONU sugerem que a produção de carne lança mais gases do efeito estufa na atmosfera do que o setor do transporte.

Mas um porta-voz da União Nacional dos Fazendeiros da Grã-Bretanha disse que as emissões de metano de fazendas estão caindo.

Pachauri acaba de ser apontado para um segundo termo de seis anos como presidente do IPCC, o órgão que reúne e avalia os dados sobre clima dos governos mundiais, e que já conquistou um prêmio Nobel.

“A Organização da ONU para Agricultura e Alimentos (FAO) estima que as emissões diretas da produção de carne correspondem a 18% do total mundial de emissões de gases do efeito estufa”, disse à BBC.

“Então eu quero destacar o fato de que entre as opções para reduzir as mudanças climáticas, mudar a dieta é algo que deveria ser considerado.”

Clima de persuasão

O número da FAO de 18% inclui gases do efeito estufa liberados em todas as etapas do ciclo de produção da carne – abertura de pastos em florestas, fabricação e transporte de fertilizantes, queima de combustíveis fósseis em veículos de fazendas e as emissões físicas de gado e rebanho.

As contribuições dos principais gases do efeito estufa – dióxido de carbono, metano e óxido nítrico – são praticamente equivalentes, segundo a FAO.

O transporte, em contraste, responde por apenas 13% da pegada de gases da humanidade, segundo o IPCC.

Pechauri irá falar em um encontro organizado pela organização Compassion in World Farming, CIWF (Compaixão nas Fazendas Mundiais, em tradução-livre), cuja principal razão para sugerir que as pessoas reduzam seu consumo de carne é para reduzir o número de animais em indústrias pecuárias.

A embaixadora da CIWF, Joyce D’Silva, disse que pensar nas mudanças climáticas poderia motivar as pessoas a mudarem seus hábitos.

“O ângulo das mudanças climáticas pode ser bastante persuasivo”, disse.

“Pesquisas mostram que as pessoas estão ansiosas sobre suas pegadas de carbono e reduzindo as jornadas de carro, por exemplo; mas elas talvez não percebam que mudar o que está em seu prato pode ter um efeito ainda maior.”

Benefícios

Há várias possibilidades de redução dos gases de efeito estufa associados aos animais em fazendas.

Elas vão de ângulos científicos, como as variedades de gado geneticamente criadas para produzir menos metano em flatulências, até reduzir a quantidade de transporte envolvido, comendo animais criados localmente.

“A União Nacional dos Fazendeiros da Grã-Bretanha está comprometida em assegurar que a agropecuária seja parte da solução às mudanças climáticas, e não parte do problema”, disse à BBC uma porta-voz do órgão.

“Nós apoiamos fortemente as pesquisas com o objetivo de reduzir as emissões de metano dos animais de fazendas, por exemplo, mudando suas dietas e usando a digestão anaeróbica.”

As emissões de metano de fazendas britânicas caíram 13% desde 1990.

Mas a maior fonte mundial de dióxido de carbono vindo da produção de carne é o desmatamento, principalmente de florestas tropicais, que deve continuar enquanto a demanda por carne crescer.

D’Silva acredita que os governos negociando um sucessor ao Protocolo de Kyoto deveriam levar esses fatores em conta.

“Eu gostaria de ver governos colocarem metas para a redução de produção e consumo de carne”, disse.

“Isso é algo que deveria provavelmente acontecer em nível global como parte de um tratado negociado para mudanças climáticas, e seria feito de forma justa, para que as pessoas que têm pouca carne no momento, como na África sub-saariana, possam comer mais, e nós no oeste comeríamos menos.”

Pachauri, no entanto, vê a questão mais como uma escolha pessoal.

“Eu não sou a favor de ordenar coisas como essa, mas se houver um preço (global) sobre o carbono, talvez o preço da carne suba e as pessoas comam menos”, disse.

“Mas, se formos sinceros, menos carne também é bom para a saúde, e ao mesmo tempo reduziria as emissões de gases do efeito estufa.”

Fonte: BBC Brasil

sábado, 28 de abril de 2012

Ativistas protestam pela vida dos vira-latas na Ucrânia



Participantes pedem fim das mortes para a preparação do Euro 2012. Protestos, em frente ao governo, são contra ação dos serviços comunitários.


Ativista ucrânia animais (Foto: SERGEI SUPINSKY / AFP)Ativistas pelos direitos dos animais neste sábado (28), em Kiev, na Ucrânia, seguram cartazes escritos "Queremos sobreviver ao Euro 2012" e "Não matem" em frente a ministérios. Eles pedem o fim das mortes de vira-latas pelos serviços comunitários como parte da preparação para o campeonato Euro 2012. (Foto: Sergei Supinski/AFP)
Ativista ucrânia animais (Foto: Sergei Supinski/APF)Ativista em protesto neste sábado (28), na Ucrânia, tem no decote o slogan "Queremos sobreviver ao Euro 2012". Eles pedem o fim das mortes de vira-latas na preparação para o campeonato. (Foto: Sergei Supinski/APF)
Ativistas protestam pelos direitos dos animais na Ucrânia (Foto: Sergei Supinski/APF)Ativista grita, em protesto neste sábado (28), na Ucrânia, contra as mortes de vira-latas. (Foto: Sergei Supinski/APF
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terça-feira, 17 de abril de 2012

Rei Juan Carlos, presidente de honra da WWF em seu país foi caçar elefantes em Botsuana


As férias do rei espanhol Juan Carlos I transformaram-se em um grande imbróglio para o monarca. Ao sofrer um acidente que lhe rendeu uma fratura no quadril, durante estadia em Botsuana, veio à tona, pela imprensa espanhola, o motivo de sua viagem ao país africano: Juan Carlos caçava elefantes. Acontece que o rei, de 74 anos, é presidente de honra em seu país da WWF, uma das maiores ONGs ambientalistas do mundo.
O gosto de Juan Carlos I pela caça não era, na verdade, segredo. Ele só se tornou presidente de honra da organização, em 1968, para que a WWF contornasse a proibição, pela ditadura franquista, da atuação de organizações civis no país. Mas o novo safari do monarca, aliado a uma foto de 2006 republicada em diversos jornais espanhóis (acima), reacendeu o debate.
No domingo, El Mundo, um dos principais jornais espanhóis, titulou: "O tombo do rei revela que ele estava havia quatro dias caçando elefantes". A reação foi imediata - e não só na Espanha. A atriz francesa Brigitte Bardot, que frequentemente se associa a causas ambientais, por exemplo, afirmou que Juan Carlos praticava uma atividade "indigna".
Mas a maior onda de contestação a Juan Carlos veio da internet. Até agora, mais de 50.000 pessoas já assinaram um documento pedindo que o rei deixe o posto de presidente de honra da WWF. As assinaturas foram recolhidas no site Actuable, que se define como uma "comunidade on-line de pessoas que se unem para lutar contra as injustiças". No ano passado, o portal conseguiu retirar de circulação o livro "Comprender y sanar la homosexualidad", do psicoterapeuta Richard Cohen - no texto, Cohen dizia ter "curado" mulheres e homens que diziam sentir atração por pessoas do mesmo sexo.
A situação obrigou a ONG a lamentar, publicamente, "o grave prejuízo pela credibilidade da WWF e do intenso trabalho que vem desenvolvendo há mais de 50 anos para a proteção dos elefantes e de outras espécies". No Twitter, onde o fato também foi bastante comentado, a WWF afirma que "fará chegar à Casa Real os comentários e reitera seu compromisso com a conservação dos elefantes". 
Em uma carta enviada à Casa Real, o secretário-geral da WWF Espanha, Juan Carlos del Olmo, afirma que o incidente provocou uma "enorme rejeição dos sócios da ONG e da opinião pública espanhola". Segundo ele, muitos dos seus 33.000 sócios estão abandonando a organização.
Luxo - Outro fato que foi motivo de críticas ao monarca é preço da diversão real. Em Botsuana, a caça de elefantes só é permitida após o pagamento de uma taxa que varia entre 7.000 euros e 30.000 euros. Em um país em crise econômica, cuja taxa de desemprego supera os 20%, a gastança não pegou bem.
"Foi uma viagem irresponsável, no pior momento possível", afirmou o jornal El Mundo, em editorial. "A imagem de um monarca caçando elefantes na África em um momento em que a crise econômica cria tantos problemas para os espanhóis é um exemplo muito ruim."
Sem comentários - A Casa Real não comentou o motivo da viagem do rei a Botsuana, que só foi descoberta publicamente quando ele precisou ser hospitalizado depois da fratura no quadril. Ele foi operado no sábado na clínica San José de Madri, onde os médicos colocaram uma prótese. Apesar do susto, o monarca "teve uma evolução muito positiva e conseguiu descansar, novamente, nesta noite", informou a Casa Real em um comunicado.

Rei Juan Carlos da Espanha causa polêmica por caçar elefantes na África

É inacreditável!!







As férias do rei Juan Carlos da Espanha foram alvo de severas críticas da imprensa internacional. Depois de fraturar o quadril em um acidente durante uma viagem à Botsuana, descobriram que o rei estava na África para caçar elefantes. A permissão para a caçada só é emitida mediante o pagamento de uma taxa que varia de sete a 30 mil euros. Enquanto a Espanha enfrenta uma séria crise econômica e metade dos jovens estão desempregados, Juan Carlos gastou dinheiro para caçar elefantes.
A situação é mais séria porque o rei é presidente de honra da World Wide Fund for Nature (WWF), uma das maiores organizações ambientalistas do mundo. Uma petição online realizada pelo site Actuable pede que Juan Carlos deixe o cargo. Até agora, a petição já tem mais de 60 mil assinaturas. A ONG enviou uma carta ao palácio real em que fala de sua preocupação pela atitude de Juan Carlos.
A atriz Brigitte Bardot, defensora dos direitos dos animais, também se manifestou, dizendo que a caçada foi uma atitude “indecente, repugnante e indgina de alguém em sua posição”.
Em um editorial, o jornal espanhol El mundo disse que a viagem de Juan Carlos foi irresponsável.



quarta-feira, 11 de abril de 2012

Falácias caninas: o culto do extermínio e da extinção na mídia

 
by Marco Aurélio Weissheimer.

A polêmica resultante da morte da cadela Artemis, uma pitbull, no pátio do Hospital Veterinário da UFRGS, está mostrando uma curiosa semelhança entre argumentos utilizados contra defensores dos direitos dos animais e argumentos usados contra defensores de direitos humanos. Esses argumentos têm uma forma em comum que poderia ser assim resumida (e que é sempre disparada, não sem alguma agressividade na voz, contra os defensores desses direitos): “Quero ver se acontecer com um filho teu”, ou “Se acontecer com um filho meu, eu mato”. É a Lei do Talião em sua versão gaudéria. Todos os dias ocorrem crimes, homicídios e tragédias que sempre envolvem o filho de alguém. Afinal, por definição, toda e qualquer pessoa é filha (ou filho) de alguém. Se todos adotassem para si a regra do “se acontecer com um filho meu, eu mato”, a Lei e o Direito seriam absolutamente desnecessários. Mais do que isso, inexistiriam.
Como se sabe, ou se deveria saber, há alguns séculos, e por alguma razão, a humanidade decidiu que a Lei do Talião não era uma boa regra para a vida em sociedade e passou a desenvolver um outro tipo de Direito. Surgiram direitos, muitos direitos, o que até hoje incomoda muita gente. E, agora, o que parece representar um insulto para alguns, inventaram essa história de “direito dos animais” para dificultar ainda mais a vida de quem reivindica para si o direito da vida e da morte. O tratamento dado ao caso da cadela morta pelo vigilante não parece ser um caso isolado. As palavras e argumentação marcada por algumas falácias e falsidades transbordam para outras áreas, indicando um padrão de pensamento.
Não é preciso recorrer ao “direito dos animais” para questionar a atitude do vigilante que disparou contra a cadela Artemis. Há leis e normas que regulam a atividade de policiais e agentes de serviços de segurança, especialmente no que diz respeito ao uso de armas de fogo. Esse uso é regrado ou deveria ser ao menos. E isso é assim para restringir o mínimo possível o emprego dessas armas. No Rio Grande do Sul, porém, quem questiona esse uso pela polícia em determinados casos é, geralmente, acusado de ser “amigo dos bandidos”.
Isso não ocorre somente aqui, é verdade, mas o “Rio Grande” tem características peculiares. Aqui, resolver o problema à bala, ainda mais se “tiver filho meu envolvido” é uma virtude cantada em prosa e verso e reforçada quase que diariamente na mídia. Atirar em bandido e, se for o caso, em sindicalista e em sem terra é aceitável socialmente. Daí para defender o extermínio de uma raça específica de animais não é preciso nenhum grande salto argumentativo.
Essa cultura de violência e de uma recente atração por palavras como “extermínio” e “extinção” é alimentada por uma série de falsidades e falácias. Várias delas vieram a público nos últimos dias. David Coimbra escreveu em Zero Hora:
“Bastaria que uma única criança tivesse sido morta por um deles para justificar sua eliminação. Está provado que é um animal que não pode conviver com seres humanos”.
A primeira frase é um argumento a favor da pena de morte e da eliminação de qualquer coisa que causar a morte de uma criança. Morrem muito mais crianças atropeladas ou por doenças decorrentes de falta de saneamento, por exemplo, do que por ataques de cães. Quem será “eliminado” neste caso? A segunda frase é uma falsidade pura e simples. Não está provado coisa alguma que o pitbull é um animal que não pode conviver com seres humanos. É um animal que tem um histórico de violência associado a ele, o que se deve a humanos que, esses sim, parecem ter dificuldade em conviver com seres humanos. Mas há inúmeros exemplos de convívios tranquilos com esses animais. David Coimbra poderia apresentar sua “prova”, por exemplo, ao professor Renato Zamora Flores, da UFRGS, que tem a pitbull Lindona, resgatada depois de ter sido abandonada de uma rinha. “Lindona é uma guria sociável e amiga dos gatos e cães de casa”, relata o professor Zamora em sua página do Facebook.
No Correio do Povo, Juremir Machado da Silva questionou:
“Que mundo é este em que aquele que chora a morte do bicho. Silencia quando quem morre esse outro bicho, o menino?”
Esse argumento também apareceu de formas variadas nos últimos dias e repousa em uma premissa falsa: não é verdade que a recente morte de um menino vítima de um ataque de um cão no litoral gaúcho tenha sido cercada de silêncio. Houve o mesmo barulho midiático que está havendo agora. Além disso, essa é uma falsa oposição. Dizer que quem defende os direitos dos animais, de algum modo, “defende menos” os direitos de crianças ou seres humanos é uma falácia grosseira. Há cada vez mais projetos onde cães são usados para o tratamento de crianças vítimas de maus tratos e abandono. É falso também afirmar que há hoje mais gente preocupada com animais do que com gente. O número de animais abandonados nas ruas ou em canis mostram outra realidade. Normalmente quem cultiva esse tipo de oposição não se engaja, na prática, na defesa de direito algum.
Há abusos, irresponsabilidades e exageros envolvendo a criação de animais, assim como ocorre em outros aspectos da vida. É para isso que existe uma coisa chamada Lei. A Lei existe, por exemplo, para impedir que policiais matem colonos sem terra com um tiro de espingarda pelas costas, para impedir que policiais sufoquem sindicalistas até a morte, para impedir que cães machuquem crianças e para impedir que animais sofram maus tratos. A Lei existe para que animais não sejam criados para brigar em rinhas ou para que sejam usados por empresas de segurança em condições de fome e abandono. A Lei existe para que não vivamos na selva, onde cada um possa, por exemplo, usar uma arma nas circunstâncias que achar melhor.
O Rio Grande do Sul é um Estado que gosta de armas, uma parte significativa de sua população ao menos. Foi aqui que os adversários do desarmamento tiveram a maior votação no referendo realizado anos atrás. Foi aqui que o coronel Mendes foi transformado em sinônimo de segurança. Aqui, costuma-se dizer, é terra de macho e as coisas muitas vezes se resolvem na bala ou na marra. Além disso, há quem goste de ter um bicho papão no horizonte, alguém ou algo que possa causar medo e justificar o emprego da lógica do “prendo e arrebento”. Por isso, não parece ser casual a transposição das críticas dirigidas aos defensores dos direitos humanos para os defensores dos direitos dos animais. Por trás disso não está o fato de alguém ser a favor ou contra uma raça determinada de cães, mas sim a pretensão de reconhecimento de uma nova classe de direitos que, obviamente, desloca a visão antropocêntrica tradicional. O jornalista Kenny Braga resumiu esse desconforto de modo curto e grosso, em desabafo na rádio Gaúcha: “esse negócio de bicho tá demais” – disse, referindo-se à crescente presença de animais (cães, principalmente) na nossa vida cotidiana.,
Se cães estão sendo treinados e/ou condicionados para brigar entre si até a morte ou para vigiar obras e prédios no lugar de humanos, com o objetivo de gerar lucro para seus “donos” é mais do que previsível que ocorrerão problemas. Propor o extermínio de animais, ou pior, de uma raça inteira deles, é um indício de que estamos muito longe do “problema” apontado por Juremir Machado da Silva, a saber, que a nossa sociedade estaria se preocupando em cuidar mais de bichos do que de gente. Na verdade, parece que não está cuidando de nenhum dos dois.
Há ainda um outro tema relacionado à reivindicada superioridade da espécie humana sobre as demais espécies no planeta. Esse é um longo e necessário debate, que não será feito aqui. Só uma observação: a humanidade já realizou obras extraordinárias e outras vergonhosas. Em nossos melhores momentos como espécie, aprendemos (ou tivemos a oportunidade de) uma coisa: todo o extermínio é uma tragédia, a preservação da vida é o valor máximo. Contra a morte, a receita não é mais morte e sim mais vida. Simples assim.